por Francisco Torma
Ser executado judicialmente por um banco pode gerar muita angústia e incerteza para o produtor rural. Entender o processo, os seus direitos e como se defender é fundamental para proteger seu patrimônio e buscar as melhores soluções. Este conteúdo foi criado para te ajudar a passar por esse momento desafiador.
As Dificuldades do Produtor Rural
Recentemente, eventos climáticos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul, trouxeram grandes prejuízos para a agricultura. A perda de safras, a destruição de estruturas e a dificuldade financeira levaram muitos produtores a atrasar pagamentos de custeio e investimento.
- O governo federal lançou algumas medidas para tentar ajudar, como a prorrogação de dívidas.
- Linhas de crédito do BNDES também surgiram, mas o acesso a elas tem sido difícil por conta da falta de recursos e exigências de garantias elevadas.
- Com isso, muitos produtores têm sido surpreendidos com processos de execução judicial.
O Que é Uma Execução Judicial?
A execução judicial é um processo no qual o banco busca, através da justiça, receber o valor devido pelo produtor. Diferente de um processo de cobrança comum, a execução é mais rápida e tem como objetivo principal atingir o patrimônio do devedor.
- Créditos Rurais e Títulos Executivos: No caso de dívidas de crédito rural, como cédulas bancárias, o banco pode entrar diretamente com a ação de execução, sem precisar de um processo inicial para provar a existência da dívida.
- Processo Eletrônico: Atualmente, os processos são 100% eletrônicos, o que agiliza o andamento. O advogado pode atuar com facilidade em qualquer lugar do país, já que o acesso aos documentos se dá pelo sistema processual digital.
O Que Fazer ao Receber a Notificação da Execução?
- Cuidado com Abordagens Suspeitas: Advogados desconhecidos podem entrar em contato oferecendo seus serviços. Desconfie dessas abordagens, procure um advogado de sua confiança e denuncie essas práticas para a OAB, já que esse tipo de captação de clientela é ilegal.
- Citação Oficial: A citação oficial é o primeiro ato formal do processo, quando o produtor é notificado pelo oficial de justiça, que pode ser via WhatsApp, com os documentos do processo.
- Prazos: O produtor tem 3 dias para quitar a dívida sem ônus.
- 15 dias para defesa: Se o produtor não faz o pagamento, ele tem 15 dias úteis para apresentar sua defesa. Este prazo começa a contar a partir da juntada da certidão do oficial de justiça no processo.
- Defesa (Embargos à Execução): A defesa do produtor é feita por meio dos “embargos à execução”, que iniciam um novo processo, paralelo ao da execução.
- É necessário pagar custas para esse novo processo, mas é possível solicitar gratuidade se comprovar falta de condições financeiras.
Como Se Defender em Uma Execução?
- Gratuidade de Justiça: Apresente declaração de pobreza, cópia do Imposto de Renda dos últimos 3 anos, e extratos bancários para comprovar a falta de recursos para pagar as custas do processo.
- Efeito Suspensivo: É fundamental buscar o “efeito suspensivo” dos embargos para impedir que a execução avance enquanto sua defesa é analisada.
- Requisitos para o Efeito Suspensivo: Probabilidade do direito: Sua defesa precisa ter um argumento razoável e possuir uma probabilidade de ser acolhido futuramente pelo Juiz. Perigo na demora: É preciso demonstrar que a continuidade da execução pode causar um prejuízo irreversível ao produtor, como a perda de ferramentas de trabalho indispensáveis à atividade. Garantia: Oferecer um bem como garantia (penhora) ou um seguro garantia é necessário para suspender a execução.
- Estratégias de Defesa: Notificações Prévias: Se você solicitou a prorrogação da dívida ao banco, guarde todos os comprovantes, pois eles servirão como provas na defesa. Direito à Prorrogação: Use o Manual de Crédito Rural, Medidas Provisórias e resoluções para demonstrar que tinha direito a prorrogar a dívida. Outras Argumentações: Analise com seu advogado outras possibilidades de defesa, como juros abusivos ou a ausência de requisitos do título.
- Ação Judicial Contra o Banco: Você pode processar o banco antes da execução para garantir seu direito à prorrogação, ou usar os mesmos argumentos na sua defesa durante a execução.
Atenção à Alienação Fiduciária
A alienação fiduciária é uma modalidade de garantia que torna a execução muito mais rápida e perigosa.
- Imóvel Rural: Se seu imóvel foi dado em alienação fiduciária, o banco se torna o proprietário desde o início do contrato e pode tomar o bem sem processo judicial.
- O cartório de registro de imóveis notifica o produtor para pagar a dívida em 15 dias; se o devedor não pagar, o imóvel é consolidado em nome do banco, que irá leiloá-lo.
- Ação Imediata: Em caso de alienação fiduciária, não espere o processo vir, entre com uma ação para garantir seu direito à prorrogação.
- Bem Móvel (Trator, Colheitadeira): Se um bem móvel foi dado em alienação fiduciária, o banco entra com uma ação de “busca e apreensão”.
- O produtor pode ser surpreendido com a apreensão do bem sem aviso prévio.
- Antecipe-se: Entre com ação para garantir seu direito à prorrogação e peça liminarmente que o juiz impeça o banco de tomar o bem.
Conclusão
Enfrentar uma execução judicial é um momento de muita tensão, mas com as informações corretas e a ajuda de um advogado de confiança, o produtor rural pode se defender e buscar soluções para sua situação financeira. Lembre-se que a informação e a ação são suas maiores armas neste momento!
Espero que este artigo seja útil para você. Se tiver alguma dúvida, deixe seu comentário ou entre em contato com um advogado especializado.
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